Reunião Ordinária C.A.Bio UFAL!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Olá olá, pessoinhas da biologia!
Como estão?!

Relembramos à vcs que amanhã, terça-feira acontecerá mais uma reunião ordinária do Centro Acadêmico de Biologia da UFAL, às 16:30 no ICBS, sala do CABio.
Relembramos também que toda reunião é aberta aos estudantes e a participação de vcs é de fundamental importância!


Como estamos próximo do nosso Encontro Nacional, iremos pautar nossa organização pra participar dele e discutiremos um texto básico sobre um dos temas à ser abordado.
O texto segue abaixo para quem tiver interesse,
Até amanhã!!


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Mundo do trabalho e formação profissional:
Reordenamento do trabalho e do campo educacional*

(Hajime Takeuchi Nozaki)

Apesar da tentativa de esvaziamento teórico do trabalho enquanto categoria de análise, o mundo do trabalho se mostra um tema central para a compreensão2 do engendramento das forças produtivas, no seio do modo de produção capitalista, em seu atual estágio, as quais determinam, inclusive, outros campos supra-estruturais. “Observando, portanto, o mundo do trabalho, reconhecemos a atualidade, a permanência e a persistência do movimento geral do capital e sua tendência de destruição das forças produtivas, tal como Marx o descreveu” (Taffarel, 1997a, p.864).

Neste ponto, podemos afirmar que a discussão dos anseios do capital, no que diz respeito ao modelo de formação humana para o mundo do trabalho, serve de base para a análise das atuais mudanças no campo educacional brasileiro. Como evidência da importância estratégica do campo educacional para o avanço da força produtiva capitalista, vale lembrar que presenciamos, no Brasil da década de 90, vários ajustes estruturais e políticos (reformas, privatizações), advindos da reestruturação do capital via globalização da economia3. Tais ajustes, orientados pelo Banco Mundial (BIRD) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a serviço do grande capital especulativo e financeiro, canalizam-se, entre outras instâncias, para as reformas na educação (Taffarel, 1997b, 1998; Fonseca, In: Tommasi, Warde, Haddad, 1998; Soares, ibid.; Tommasi, bid.).

Segundo as avaliações de Frigotto (In: Gentili, 1995), tal como nas décadas de 60 e 70 no Brasil, onde a Teoria do Capital Humano, proveniente do modelo de desenvolvimentismo econômico, impôs ideologicamente a centralidade da educação no processo de acumulação do capital, via aumento de produtividade, atualmente, a acumulação flexível4 recoloca a educação naquele mesmo papel, sobretudo a partir do interesse de maximização da exploração do trabalho, conseguida pelas inovações tecnológicas e pelas novas formas na sua base técnica (Bruno, In: Bruno, 1996). Em outra análise, poderíamos ressaltar que o Estado mínimo neoliberal mostra-se minúsculo quando se trata de gerir os recursos públicos para a educação; no entanto mostra-se máximo, forte e centralizado quando diz respeito à condução de suas políticas para a formação do trabalhador (Gentili, In: Silva, Gentili, 1996; Pinheiro, 1997a).

Tendo em vista a extensão da política neoliberal para o plano da educação, bem como a nova investida no que diz respeito à exploração e alienação humana, percebemos, nos dias atuais, a necessidade, por parte do capital, da formação de um novo modelo de trabalhador. O reordenamento do trabalho, causado pela introdução de novas tecnologias operacionais, altera a base técnica da produção, modifica a organização do trabalho e traz a demanda da formação de um trabalhador de novo tipo. Neste contexto, ao contrário do trabalhador do modelo taylorista/fordista (Kuenzer, 1986), executor de tarefas repetitivas e segmentadas, recorre-se à formação para a competitividade: uma formação flexível, abstrata e polivalente (Frigotto, op. cit.). A nova forma de organização do trabalho aponta para uma dinâmica mais participativa, porém ainda sob o jugo da exploração humana, como bem sintetizam as formulações de Lucília Regina de Souza Machado (In: Ferreti, et.al., 1994, p.74):

“O taylorismo e o fordismo, intrinsicamente, apontaram organizações de trabalho autoritárias. As inovações organizacionais subvertem este modelo, trazem formas mais participativas, integradas, grupais, descentralizadas, autônomas, envolventes e flexíveis, mas não significam que sejam, por isso, democráticas, ainda que constituam patamares superiores que favorecem o aperfeiçoamento do trabalho humano”.

A reorganização da base técnica do trabalho traz para a educação a incumbência de formar novas competências do trabalhador. Neste ponto, capacidades tais como abstração, facilidade de trabalho em equipe, comunicabilidade, resolução de problemas, decisão, criatividade, responsabilidade pessoal sob a produção, conhecimentos gerais e técnico- tecnológicos (língua inglesa e informática, por exemplo), entre outras, tornam-se balizadoras do processo educativo para o mundo do trabalho (Bruno, op. cit.; Frigotto, op. cit.; Manfredi, 1998).

Assim sendo, o que observamos no Brasil são políticas de ajustes estruturais com o objetivo de promover esta qualificação, passando por reordenamentos legais no âmbito escolar, como a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases (Saviani, 1998), e a elaboração de documentos que se tornam balizadores ideológicos, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (Palafox, Terra, 1997) e as Diretrizes Curriculares para o Ensino
Superior (Taffarel, op. cit.), entre outros. Em resposta a esta série de ataques, podemos observar a resistência, ou amoldamento, em alguns casos, por parte dos trabalhadores da educação, às políticas neoliberais.


*Fragmento (p. 4 - 6) da tese de doutorado “Educação Física e Reordenamento no Mundo do Trabalho: mediações da regulamentação da profissão” de Hajime Takeuchi Nozaki..

2 Aqui a categoria compreensão está relacionada indissociadamente com a idéia de ação para transformação, ou seja, na perspectiva da filosofia da práxis (Vasquez, 1977).
3 No capítulo primeiro abordaremos as implicações ideológicas da noção de globalização. Por ora, mantemos apenas como referência ao epifenômeno marcante, em nível mundial, do final do século XX.
4 Entre outros nomes, esta também é conhecida como pós-fordismo ou toyotismo.

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